O que Tasso esperava de um líder de motim de policiais?

Por Plínio Bortolotti 06/01/2022 - 15:28 hs
Foto: OPOVO+
O que Tasso esperava de um líder de motim de policiais?
O que Tasso esperava de um líder de motim de policiais?

Em entrevista ao jornalista Henrique Araújo, nas Páginas Azuis do O POVO (3/1/2022), o senador Tasso Jereissati (PSDB) apresenta-se como um político afeito ao diálogo, cordato e conciliador. Por ainda manter esperança em uma terceira via, recusou-se a responder em quem votaria em um possível segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

Entretanto, defendeu que, caso prospere a negociação entre o ex-presidente e Geraldo Alckmin, tal aliança poderia ajudar “a acabar com a desunião” que, para ele, fomentou o ódio “até dentro das famílias” brasileiras.

Mostrou-se preocupado com os rumos do Brasil sob Bolsonaro — “o pior governo da história do país” —, e com o futuro do Ceará, advertindo para o “risco” que correria o estado em uma possível eleição do Capitão Wagner (Pros) ao cargo de governador.

Tasso atribui-se a criação de uma “escola” de governar, que teria se tornado “exemplo de administração”. Para ele, o modelo vem sendo seguido por seus sucessores, mas Wagner representaria o perigo de retrocesso.

Até aqui, ainda que se discorde do senador, ele mantém a coerência. Mas continua espantosa a falta de capacidade de políticos experientes em avaliar pessoas e situações conjunturais. (Abordei o assunto recentemente em Ninguém pode acusar Bolsonaro de ter enganado o eleitor)

Wagner, a quem Tasso agora abomina, já foi apoiado pelo senador como alternativa ao grupo Ferreira Gomes na disputa pela prefeitura de Fortaleza, quando ele se opôs a Roberto Cláudio (2016).

O senador diz agora que ficou “decepcionado” com o pupilo, que hoje representa o bolsonarismo no Ceará. Não é a primeira vez que Tasso, tardiamente, reconhece “erros memoráveis”, tendo o feito o mesmo quanto ao apoio do PSDB ao presidente Michel Temer. Escrevi sobre o assunto em Autocrítica tardia.

Mas o que Tasso — que enfrentou dois motins de policiais militares em seu governo (1997 e 2000) —, poderia esperar de um tipo que liderou uma violenta greve de PMs em 2011? O movimento atemorizou o Ceará, acuou o então governador Cid Gomes no Palácio da Abolição e catapultou o Capitão Wagner a uma vitoriosa carreira política, com ajudinha do senador, que agora o vê como um perigo ao seu legado.

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